Primeiro emprego: jovens ganham espaço, mas enfrentam novas exigências

Trabalhadores de até 24 anos tiveram saldo positivo de quase 129 mil vagas em agosto, mas desemprego entre jovens continua acima da média

O mercado de trabalho brasileiro está abrindo espaço para uma parcela importante dos trabalhadores em início de carreira. Em agosto de 2026, pessoas de até 24 anos registraram saldo positivo de 128.997 empregos formais, segundo dados do Novo Caged.

O resultado mostra uma forte participação dos jovens nas novas contratações, mas não significa que o caminho até o primeiro emprego esteja mais fácil para todos.

Um estudo do FGV Ibre aponta que a taxa de desemprego entre brasileiros de 18 a 29 anos ficou em 9,2% no segundo trimestre de 2026, mais que o dobro da taxa registrada entre trabalhadores de 30 a 59 anos, de 3,8%.

Renda dos jovens cresce

Apesar das dificuldades, houve avanço na renda.

A renda média mensal do trabalho entre brasileiros de 18 a 29 anos chegou a R$ 2.593 no segundo trimestre de 2026, segundo o levantamento do FGV Ibre.

O valor representa o segundo maior patamar da série histórica iniciada em 2012.

A escolaridade também avançou. A proporção de jovens com ensino superior passou de 11% em 2012 para 16,8% em 2026.

Experiência continua sendo uma barreira

Um dos principais obstáculos para quem busca a primeira oportunidade permanece sendo a exigência de experiência profissional. O problema ganhou uma nova dimensão com a evolução da inteligência artificial.

Funções tradicionalmente ocupadas por trabalhadores iniciantes podem incorporar ferramentas de automação, reduzindo a quantidade de tarefas básicas que antes serviam como porta de entrada para determinadas carreiras.

O resultado é uma situação contraditória: há empresas procurando novos profissionais, mas também cresce a necessidade de encontrar candidatos que já cheguem preparados para lidar com tecnologia.

Ensino médio ainda tem forte presença nas contratações

Os dados do Novo Caged mostram que trabalhadores com ensino médio completo tiveram saldo positivo de 100.939 empregos em agosto.
O número reforça a importância dessa formação para quem está tentando entrar no mercado formal.

Ao mesmo tempo, cursos profissionalizantes, técnicos, graduação e capacitações de curta duração podem ajudar o candidato a adquirir competências específicas exigidas pelas empresas.

Mercado abre espaço para início de carreira

A perspectiva para os próximos meses também é positiva.

Pesquisa do ManpowerGroup para o quarto trimestre de 2026 mostra que 65% dos empregadores brasileiros afirmam estar ampliando a contratação de profissionais em início de carreira em comparação com 2025.

O levantamento indica, portanto, que o primeiro emprego continua sendo uma porta importante para as empresas formarem seus próprios profissionais.

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